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Preço: 18,00 euros


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Camilo e Ana Plácido
Episódios ignorados da célebre paixão romântica
de Manuel Tavares Teles.
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978-989-8100-17-7 |
| Colecção |
"Caixotim Memórias"
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| Formato |
170 X 240mm |
| Nº.pp. |
280 |
| Encadernação |
Capa mole, impressa a 4 cores |
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Imprensa João Bigotte Chorão
In (Apresentação do livro no Grémio Vila-Realense; 10.10.2008)
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[…]
Não sendo eu um erudito investigador, só por amabilidade se lembram de mim para dizer algumas palavras sobre este livro de Manuel Tavares Teles «Camilo e Ana Plácido – Episódios ignorados da célebre paixão romântica». Se o Autor não lhe tivesse dado esse subtítulo, julgo que seria apropriado o que António Cabral escolheu para o seu «Camilo desconhecido: Erros que se emendam e factos que se aclaram».
A vasta família camiliana – digo família em sentido espiritual, que abrange aqueles que têm afinidades electivas com o escritor e não os coleccionadores de tudo o que, directa ou indirectamente, diz respeito a Camilo -, essa vasta família deve estar grata a Manuel Tavares Teles pelo trabalho produzido. Já foi moda – e, como todas as modas, passageira -, ignorar a biografia de um artista e fixar-se unicamente no texto. Sem cair nos excessos do biografismo, de que Camilo foi vítima, a verdade é que, para compreender bem um quadro, temos de olhar também a moldura, sobretudo quando uma obra está carregada de referências autobiográficas.
Saber quem são os antepassados, conhecer o homem e a sua circunstância – o drama da orfandade, o casamento e a paternidade precoces, o abandono a mulher e da filha, a crença na sua vocação, os amores e desamores, os raptos e as prisões, as doenças, a cegueira, o suicídio, tudo isso é relevante. Não ficar porém preso dos factos, partir deles para chegar (se alguma vez for possível) à essência do drama camiliano. Que Pascoaes, melhor que ninguém, percebeu ser de natureza metafísica. E ler, reler sempre Camilo, revisitando aquelas páginas em que explodem a violência e o sangue e são a marca da nossa desumana condição.
Camilo fora das escolas? Já estamos aí a ver os resultados da revolução educativa a que temos direito e a sofrer a indigência pedagógica que ofende a gramática e o bom senso.
[…]
Na “Introdução” ao seu livro, previne o Autor que é uma miscelânea de textos dispersamente publicados, todos eles versando controversos aspectos biográficos, com o risco de haver repetições aqui e acolá. "Quod abundat non nocet" – dir-se-ia. São cinco os textos enfeixados neste volume: “Um baile no Porto romântico”; “Um desconhecido apaixonado de Ana Plácido”; “Um sedutor obstinado”; “Um casamento na rua do Almada”; “Uma questão de paternidade”.
Manuel Tavares Teles, pelas razões que aduz, propõe que Manuel Plácido é filho de António Ferreira Quiques. Quando Camilo conheceu o leito de Ana Plácido, como elegantemente diria um clássico, já a fogosa amazona estava grávida. Mais romântico e virgiliano seria supor que o leito nupcial estava no cenário do Bom Jesus do Monte, onde a espessa vegetação defendia os amantes de serem surpreendidos. Como o ADN pouparia muitos trabalhos e dias a diligentes investigadores e resolveria tanta quaestio disputata.
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É tempo de terminar. Depois deste excurso, guiados por quem conhece o labirinto camiliano, não é sem constrangimento que olhamos Ana Plácido e Camilo – esses dois seres condenados às galés da vida. A paixão dera lugar ao cansaço. Ana Plácido espapaçara-se, dona de casa atenta a criados e jornaleiros, companheira e colaboradora de um homem de temperamento difícil, doente e precocemente envelhecido, sua enfermeira e secretária. Onde estavam os seus sonhos de literata que escondia o seu nome em iniciais ou pseudónimos masculinos? Travestida de viscondessa de Correia Botelho, aparecia como caricatura do que fora – aquela Raquel que um dia, um longínquo dia, desejara e amara.
João Bigotte Chorão
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[Apresentação do livro]
José Manuel Martins Ferreira
In (texto da apresentação)
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| «O livro “Camilo e Ana Plácido”, de uma assentada, traz-nos as seguintes novidades:
1) esclarece um facto que nunca fora completamente compreendido (o célebre baile que terá constituído o big bang da relação Camilo - Ana Plácido). 2) apresenta-nos um apaixonado de Ana Plácido que era até agora desconhecido como tal, apesar de ser uma figura principal da sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX. 3) explica-nos como, quando e onde terá decorrido a conquista de Ana por Camilo.
4) apresenta-nos um episódio de grande significado sentimental nos primórdios da relação entre Ana e Camilo, que nunca foi referido por outros autores. 5) analisa de forma esclarecida a questão da paternidade do primeiro filho de Ana Plácido, apontando um conjunto de erros que subsistiam até esta data.
São estes também os cinco capítulos do livro, sobre os quais nos debruçaremos. Para novidades, num universo tão repleto de títulos, convenhamos que não é pouco. Mesmo quando nos fala sobre assuntos e personagens mais ou menos conhecidos, o autor fá-lo de forma a enriquecer a visão de que já dispúnhamos. Ficamos pela primeira vez a conhecer pormenores sobre o aspecto físico de António Ferreira Quiques e sobre a sua vida pelo Brasil, incluindo a data e o local em que terá morrido.
Ficamos também a conhecer melhor algumas personagens cuja vida daria por si só um interessante livro, como é o caso de Henriqueta Azuil, ou mesmo de personagensmais familiares do público camiliano, como é o caso das irmãs de Ana Plácido.
E como é possível que haja ainda tanto para conhecer, relativamente a vidas que já foram escrutinadas por tantos e tão qualificados biógrafos? Sem me querer alongar nesse assunto, que é apenas acessório em relação ao objectivo da minha intervenção, posso dizer-lhes que o passar dos anos vai permitindo a descoberta de novos dados, seja através da consulta de fontes primárias, nos registos civis e religiosos, pela descoberta e publicação de correspondência que levanta o véu sobre a natureza dos actores principais e secundários, ou mesmo e tão-somente através de uma leitura mais exaustiva dos jornais da época.
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A forma como Manuel Tavares Teles comunica com o leitor é, quanto a mim, uma das principais qualidades da sua prosa e revela-se desde cedo, como se vê quando comenta o tratamento que alguns autores bem conhecidos deram ao célebre baile em que Camilo e Ana Plácido terão trocado os olhares que ditaram o essencial das suas vidas. Depois de tantos biógrafos terem tergiversado sobre este assunto, o baile é por fim identificado de forma definitiva e passa a saber-se onde e quando teve lugar. Foi aqui bem perto, na rua da Conceição, há quase 150 anos, mais precisamente a 13 de Fevereiro de 1849.
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O capítulo quinto cumpre aquilo que o Manuel Tavares Teles poderá ter considerado uma dolorosa tarefa a que este livro não poderia escapar – apontar os inexplicáveis erros em que abunda a análise da correspondência epistolar entre Camilo e José Barbosa e Silva, feita por um dos mais competentes biógrafos de Camilo e também um dos mais próximos do nosso tempo: Alexandre Cabral. Autor do importante “Dicionário de Camilo Castelo Branco”, uma volumosa obra que é ferramenta de consulta imprescindível a todos os interessados no universo camiliano, Alexandre Cabral publicou diversos livros sobre a vida e a obra de Camilo, entre os quais avulta a “Correspondência de Camilo Castelo Branco”, que se estende por meia dúzia de volumes. Por extraordinário que pareça, existe na correspondência trocada com José Barbosa e Silva e também em alguma da trocada com Faustino Xavier de Novais, informação mais do que suficiente para permitir a qualquer leigo atento compreender alguns aspectos fundamentais da vida de Camilo e Ana Plácido neste período, incluindo a paternidade do primeiro filho de Ana e o ano em que a paixão entre ela e Camilo se consumou. Ao lermos as obras de Alexandre Cabral, incluindo “A Via Dolorosa”, onde publicou os telegramas trocados entre Ana e Camilo, após a separação dos amantes, já com o escândalo bem conhecido do público, e até ao ingresso de Camilo na Cadeia da Relação do Porto, quase se poderia supor que o autor estaria a disfarçar aquilo que alguns pormenores dessa correspondência tornam óbvio. Esses erros mantiveram-se no entanto durante mais de 20 anos, sem que nenhum autor camiliano tenha vindo a terreiro apontá-los. O autor desta obra cumpriu essa tarefa, penso que com algum desconforto, dada a consideração que lhe conheço pela pessoa e pela obra de Alexandre Cabral. Fê-lo também em termos absolutamente convincentes, de forma metódica e rigorosa, enriquecida por explicações circunstanciadas de eventos e personagens que abalaram a moral e os bons costumes da sociedade portuguesa na segunda metade do século XIX e que têm continuado semi-desconhecidos até aos nossos dias.
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José Manuel Martins Ferreira
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